Vamos falar de preconceito religioso #1

Tenho 20 anos, curso licenciatura em História em uma universidade particular de uma ordem católica, sou evangélica desde que nasci. Nunca antes eu tinha sentido o que senti ontem, nunca tinha sentido essa dor física de um jeito tão forte. Estou na universidade desde 2013, já ouvi muita coisa desagradável, mas isso é normal, todos nós ouvimos coisas das quais não gostamos. Muitos colegas acreditam piamente que por eu crer em um Deus criador não sou capaz de discutir ciência, outros tem uma certeza que não consigo dar aulas porque supõem que eu não acredito na evolução do ser humano, seus pré-conceitos e conclusões sobre a vida de alguém que não tem nenhuma proximidade com eles (querem pagar minhas contas também??). Nunca tive nenhum problema em ensinar aos meus alunos que descendemos de um ancestral comum, ciência é ciência, fé é fé, uma não depende da outra. Não preciso me isolar do mundo para crer em Deus, não preciso ser cética para obter algum saber científico, sempre lidei muito bem com isso.
Estou acostumada com alguns olhares diferentes ou com gente supondo que por ser “crente” não posso fazer nada da vida, mas isso já é normal, mesmo que não muito agradável. Esse texto já está chegando no ponto que eu quero, vou desabafar aqui alguns momentos que me marcaram na questão de um sentimento anti-religioso no ambiente acadêmico.
Um deles, não me chocou, não me deixou nervosa, mas lembro bem do que aconteceu quando um colega perguntou justamente como eu conseguiria ensinar sobre a teoria da evolução sendo crente no criacionismo, falei que minha fé não depende de saber ou não de onde o mundo veio eu continuarei crendo que veio de Deus. A ciência pode sim provar que veio de uma enorme explosão cósmica, vou continuar acreditando que a causa dessa explosão foi o meu Deus, mas na realidade não faz diferença pra mim, enquanto eu estiver em uma universidade vou fazer meus trabalhos conforme aquilo que eles me ensinam ali. Simples assim. A discussão rendeu e foi bom conversar, até o momento em que a professora, em tom apaziguador, porém sem tato, disse algo como: “acreditar na Bíblia como um livro de histórias inspiradoras é uma coisa, mas acreditar como se fosse real é outra”, sei que ela pensava que estava me agradando, mas logo discordei, dizendo que eu seria hipócrita se concordasse. Esse era um assunto de aula, estávamos discutindo as mudanças na ciência na era moderna, era compreensível o motivo de entrarmos no âmbito das crenças.
O segundo acontecimento me deixou muito nervosa, não digo que abalou minhas bases, porque minha base nunca se abala, mas me fez sentir uma dor no peito, meu corpo tremia e eu queria fugir, gritar, tinha tanta coisa pra falar, mas não saía. Em uma das disciplinas deste semestre tenho um professor que eu achava até divertido, às vezes eles fazia algumas gracinhas com religião e eu não gostava muito, inclusive totalmente fora do contexto de aula, mas tudo bem, eu podia tolerar. Nessa terça, o referido professor está para dar uma aula sobre determinado tema, mas começa a falar de outras coisas, se passam trinta minutos e ele está  em outros assuntos. Começa a falar do Deus cristão, fala, fala, começa a fazer gracinhas e eu começo a me entristecer, começo a me ofender sim, não havia a menor necessidade de comentar sobre religiões ocidentais na aula, não havia nenhum ponto ao qual ligar aquele tema, mas ele falou  alguma coisa, pode não ter sido tão grave, mas foi a gota d’água que transbordou o copo. Muito nervosa, mas educada, levantei a mão e falei que não gostei da forma como ele falou, não é legal ouvir esse tipo de coisa sobre a tua fé, assim como eu não falo da fé de ninguém, não quero ouvir coisas más daquilo que acredito. É claro que precisamos estudar a religião enquanto ela afeta a sociedade e não sou tola de pensar que nunca fizeram nenhum tipo de atrocidades em nome de crenças. Inquisição católica, inquisição protestante, Cruzadas, mulçumanos, entre tantas outras que estão aí pra provar que as pessoas são cruéis. O professor deve ter entendido que eu queria negar que  instituições religiosas fizeram maldades e logo falou que como estudante de História não posso fechar os olhos e negar tudo isso, vou precisar estudar; ora, é óbvio que preciso estudar e estudo com muito afinco, tanto que não me importo tanto quando criticam religiões enquanto instituições humanas, mas tocar no nome de Deus para fazer piada, não tem graça. Ah, eu não deveria levar tudo “à ponta de faca”, eu realmente acredito que sou uma pessoa muito calma, pois faz um bom tempo que estudo, faço quatro disciplinas por semestre, ouvi muita coisa (inclusive um colega que riu terça, estava rindo dos jovens que entregavam Bíblia na entrada da faculdade), mas sempre tive paciência, participei calmamente de discussões, às vezes mais acalorada, mas nunca cheguei a me ofender. Graças a Deus estava ao lado de uma amiga, ela levantou e começou a me conduzir para a porta, nesse momento minha voz já estava embargada e eu quase chorava, o professor disse que era possível que houvesse naquela sala outros colegas com partilhavam da mesma fé e que não estavam ofendidos, apenas repondi que era possível que estivessem calados como eu tinha ficado até o momento. Não consigo lembrar de todos os detalhes, mas eu sei que eu precisava falar, eu cansei de ouvir, ouvir. Trabalhei como professora de História e me sentia muito feliz em lecionar, gostava dos meus alunos e minha fé nunca me impediu de falar de ciência, ou vice-versa. Eu quero ser respeitada, não faço piadas com outras religiões, não faço piadas com céticos, não quero que façam piadas com a minha fé. Ninguém pode mudar o que os outros pensam, mas todos devem ser respeitosos, é o mínimo como seres –humanos-. Deus não precisa ser defendido por uma mero ser humano, mas sei que Ele fica muito feliz quando vê que um dos Seus declara que crê nEle. Pra finalizar, quero dizer pra todo mundo, porque podem saber: sou professora da Escola Bíblica Dominical, isso é uma benção que eu queria há um tempo e mesmo que eu não tenho pedido em oração, Deus atendeu.  E por último: Caro professor, sei que o senhor estava indignado com aquela mulher que xingou uma moça negra, mas ela se veste como ela quer, não há nada de errado em ser velha e gorda, ela estava errada por ser racista, não por ser gorda ou velha, isso não é defeito.
Sei que deixei de falar alguma coisa que só vou lembrar depois, mas talvez sirvam para escrever outro texto...

A quem estiver lendo, se às vezes você sente que todo mundo esteja contra você é porque talvez esteja fazendo a coisa certa, desde que você tenha buscado a Deus. Ou então, quando sua vida espiritual está tendo novidades e acontecem coisas para te entristecer, só olhe para o alto e confie. Faça como Paulo que pregou em um tribunal, sem medo declare sua fé, o Pai se agrada daqueles que abrem a boca e falam, defendem a fé. “Se falar de ti é errado, estarei bem em frente ao júri, eu quero ser culpado” (Newsboys – Guilty)






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