Vamos falar de preconceito religioso #1

Tenho 20 anos, curso licenciatura em História em uma universidade particular de uma ordem católica, sou evangélica desde que nasci. Nunca antes eu tinha sentido o que senti ontem, nunca tinha sentido essa dor física de um jeito tão forte. Estou na universidade desde 2013, já ouvi muita coisa desagradável, mas isso é normal, todos nós ouvimos coisas das quais não gostamos. Muitos colegas acreditam piamente que por eu crer em um Deus criador não sou capaz de discutir ciência, outros tem uma certeza que não consigo dar aulas porque supõem que eu não acredito na evolução do ser humano, seus pré-conceitos e conclusões sobre a vida de alguém que não tem nenhuma proximidade com eles (querem pagar minhas contas também??). Nunca tive nenhum problema em ensinar aos meus alunos que descendemos de um ancestral comum, ciência é ciência, fé é fé, uma não depende da outra. Não preciso me isolar do mundo para crer em Deus, não preciso ser cética para obter algum saber científico, sempre lidei muito bem com isso.
Estou acostumada com alguns olhares diferentes ou com gente supondo que por ser “crente” não posso fazer nada da vida, mas isso já é normal, mesmo que não muito agradável. Esse texto já está chegando no ponto que eu quero, vou desabafar aqui alguns momentos que me marcaram na questão de um sentimento anti-religioso no ambiente acadêmico.
Um deles, não me chocou, não me deixou nervosa, mas lembro bem do que aconteceu quando um colega perguntou justamente como eu conseguiria ensinar sobre a teoria da evolução sendo crente no criacionismo, falei que minha fé não depende de saber ou não de onde o mundo veio eu continuarei crendo que veio de Deus. A ciência pode sim provar que veio de uma enorme explosão cósmica, vou continuar acreditando que a causa dessa explosão foi o meu Deus, mas na realidade não faz diferença pra mim, enquanto eu estiver em uma universidade vou fazer meus trabalhos conforme aquilo que eles me ensinam ali. Simples assim. A discussão rendeu e foi bom conversar, até o momento em que a professora, em tom apaziguador, porém sem tato, disse algo como: “acreditar na Bíblia como um livro de histórias inspiradoras é uma coisa, mas acreditar como se fosse real é outra”, sei que ela pensava que estava me agradando, mas logo discordei, dizendo que eu seria hipócrita se concordasse. Esse era um assunto de aula, estávamos discutindo as mudanças na ciência na era moderna, era compreensível o motivo de entrarmos no âmbito das crenças.
O segundo acontecimento me deixou muito nervosa, não digo que abalou minhas bases, porque minha base nunca se abala, mas me fez sentir uma dor no peito, meu corpo tremia e eu queria fugir, gritar, tinha tanta coisa pra falar, mas não saía. Em uma das disciplinas deste semestre tenho um professor que eu achava até divertido, às vezes eles fazia algumas gracinhas com religião e eu não gostava muito, inclusive totalmente fora do contexto de aula, mas tudo bem, eu podia tolerar. Nessa terça, o referido professor está para dar uma aula sobre determinado tema, mas começa a falar de outras coisas, se passam trinta minutos e ele está  em outros assuntos. Começa a falar do Deus cristão, fala, fala, começa a fazer gracinhas e eu começo a me entristecer, começo a me ofender sim, não havia a menor necessidade de comentar sobre religiões ocidentais na aula, não havia nenhum ponto ao qual ligar aquele tema, mas ele falou  alguma coisa, pode não ter sido tão grave, mas foi a gota d’água que transbordou o copo. Muito nervosa, mas educada, levantei a mão e falei que não gostei da forma como ele falou, não é legal ouvir esse tipo de coisa sobre a tua fé, assim como eu não falo da fé de ninguém, não quero ouvir coisas más daquilo que acredito. É claro que precisamos estudar a religião enquanto ela afeta a sociedade e não sou tola de pensar que nunca fizeram nenhum tipo de atrocidades em nome de crenças. Inquisição católica, inquisição protestante, Cruzadas, mulçumanos, entre tantas outras que estão aí pra provar que as pessoas são cruéis. O professor deve ter entendido que eu queria negar que  instituições religiosas fizeram maldades e logo falou que como estudante de História não posso fechar os olhos e negar tudo isso, vou precisar estudar; ora, é óbvio que preciso estudar e estudo com muito afinco, tanto que não me importo tanto quando criticam religiões enquanto instituições humanas, mas tocar no nome de Deus para fazer piada, não tem graça. Ah, eu não deveria levar tudo “à ponta de faca”, eu realmente acredito que sou uma pessoa muito calma, pois faz um bom tempo que estudo, faço quatro disciplinas por semestre, ouvi muita coisa (inclusive um colega que riu terça, estava rindo dos jovens que entregavam Bíblia na entrada da faculdade), mas sempre tive paciência, participei calmamente de discussões, às vezes mais acalorada, mas nunca cheguei a me ofender. Graças a Deus estava ao lado de uma amiga, ela levantou e começou a me conduzir para a porta, nesse momento minha voz já estava embargada e eu quase chorava, o professor disse que era possível que houvesse naquela sala outros colegas com partilhavam da mesma fé e que não estavam ofendidos, apenas repondi que era possível que estivessem calados como eu tinha ficado até o momento. Não consigo lembrar de todos os detalhes, mas eu sei que eu precisava falar, eu cansei de ouvir, ouvir. Trabalhei como professora de História e me sentia muito feliz em lecionar, gostava dos meus alunos e minha fé nunca me impediu de falar de ciência, ou vice-versa. Eu quero ser respeitada, não faço piadas com outras religiões, não faço piadas com céticos, não quero que façam piadas com a minha fé. Ninguém pode mudar o que os outros pensam, mas todos devem ser respeitosos, é o mínimo como seres –humanos-. Deus não precisa ser defendido por uma mero ser humano, mas sei que Ele fica muito feliz quando vê que um dos Seus declara que crê nEle. Pra finalizar, quero dizer pra todo mundo, porque podem saber: sou professora da Escola Bíblica Dominical, isso é uma benção que eu queria há um tempo e mesmo que eu não tenho pedido em oração, Deus atendeu.  E por último: Caro professor, sei que o senhor estava indignado com aquela mulher que xingou uma moça negra, mas ela se veste como ela quer, não há nada de errado em ser velha e gorda, ela estava errada por ser racista, não por ser gorda ou velha, isso não é defeito.
Sei que deixei de falar alguma coisa que só vou lembrar depois, mas talvez sirvam para escrever outro texto...

A quem estiver lendo, se às vezes você sente que todo mundo esteja contra você é porque talvez esteja fazendo a coisa certa, desde que você tenha buscado a Deus. Ou então, quando sua vida espiritual está tendo novidades e acontecem coisas para te entristecer, só olhe para o alto e confie. Faça como Paulo que pregou em um tribunal, sem medo declare sua fé, o Pai se agrada daqueles que abrem a boca e falam, defendem a fé. “Se falar de ti é errado, estarei bem em frente ao júri, eu quero ser culpado” (Newsboys – Guilty)

Oração

E o tempo se esvai, como areia entre os dedos... E o que eu fiz? Que eu fiz para Deus? Que eu fiz para o Reino? Não sei, sinceramente não sei, parece que não sou capaz de fazer algo importante para o Senhor, sinto que sou tão pequena e fraca, não tenho coragem e ousadia para fazer coisas grandes e importantes. Ou essas são desculpas que dou para eu mesma? Não sei...
E o que eu sei? Só sei que és grande Senhor, bem maior do que qualquer dificuldade ou medo, tu és aquele que eu sinto o abraço quando dobro os joelhos e só o que tenho são lágrimas, tu és aquele que me segura pela mão quando tenho medo de caminhar, tenho tanto medo Pai... Quero te agradar, mas nesse mundo há tanta pressão... Sendo sincera, não tenho tanto medo das coisas do mundo, pois estou consciente de onde vem, me preocupo é com as coisas que encontro com aqueles que dizem te seguir... Tenho medo de ter a "cabeça feita" por algum ser humano, quando eu preciso que o Senhor guie cada passo e pensamento, tenho medo de me apegar às ideias humanas e deixar de lado uma proximidade real e íntima contigo. Senhor, eu quero fazer coisas grandes e importantes, mas não para eu mesma, para ti, quero que pessoas possam seguir meu exemplo, quero que alguém te conheça através da minha vida, minhas palavras e atitudes sejam somente para tua honra. Mesmo com minhas falhas, sei que me perdoas, também sei que não importa o que eu posso perder, desde que eu tenha tua presença. Pai, se eu não tiver mais nada nessa vida, mas teu Espírito estiver em mim, eu terei tudo que preciso. Livra-me de todo esse medo, faz-me dar passos firmes em tua direção, me segura Pai, se eu tropeçar, faz-me levantar. Não me importo com dores se eu estiver fazendo a tua vontade.
Não quero te conhecer pelo que os outros dizem de Ti, quero te conhecer por aquilo que eu vivo contigo, ensina-me a reconhecer a tua voz e te obedecer.
Outra coisa, Pai, não permita que eu seja hipócrita, não deixe que eu pregue o amor, mas não saiba cuidar dos que precisam, ensina-me a brandura, a compreensão, a honestidade, ensina-me o teu amor. Que meus olhos brilhem ao falar de ti, que corações sejam tocados ao ouvir a tua palavra e, Senhor, se tu quiser, estou disposta a ser teu instrumento, toca-me e coloca as tuas palavras na minha boca para levar essa mensagem que transforma. É tudo que eu mais quero... O Senhor tem me prometido tantas coisas maravilhosas, não permita que eu seja o impedimento para que tuas promessas se cumpram, ensina-me a humilhação, ensina-me a aprender. Eu preciso aprender tanto, mas às vezes parece que nunca consigo, parece que nunca é o suficiente, nunca vou alcançar o que eu devo ser. Acabo por me ocupar em tantas coisas e tua obra fica em segundo plano... Não deixa, Pai, não deixa eu continuar assim, puxa minha orelha se precisar, eu sei que o mundo não tem nada a me oferecer, me segura em teus braços e me leva aonde tu quiser, eu me ofereço para ser aquilo que tu escolher pra mim. Eu preciso tanto de ti, eu não sei de nada... Eu só não sei... Preciso de ti para me ensinar, preciso de ti para me afastar do erro, preciso de ti para me mostrar tua perfeita vontade. Creio em ti, Pai, ajuda-me.
Amém!

Os jovens e a igreja

                Sinto saudade da minha infância, saudade de quando eu acreditava no que me diziam e não questionava, nesse tempo minha fé também era livre de dúvidas, livre de hipocrisia, falsidade e medo... Nesse processo de crescimento, nem sempre estive tão próxima do Pai, como todo filho que ao crescer pensa que é capaz de voar sozinho sem nunca antes ter tentado. Primeiro vem as cores do mundo que trazem a ilusão de novidade, sensações a serem descobertas, coisas novas que parecem agradáveis, e realmente o são até certo ponto, mas de forma passageira.
                Mas como segurar jovens na igreja? Eu me pergunto... Parece não haver um interesse das igrejas em envolver os adolescentes, as igrejas “liberais” parecem acreditar que festas e baladas gospel substituirão a efetiva palavra de Deus, já as igrejas “conservadoras” tratam seus jovens como adultos e não permitem nenhum tipo de descontração.
                Falo como jovem, estou consciente de que o principal objetivo do cristão deve ser agradar ao Senhor e que mesmo com pouca idade podemos assumir essa responsabilidade, o evangelho de Cristo não precisa ser mascarado com uma roupagem mundana para atrair mais gente, quem faz isso será cobrado no grande dia pelas almas que enganou e deixou caírem no abismo. O próprio Jesus disse que o seu jugo é suave e seu fardo é leve, o fato de ser leve não anula o fato que há um fardo, algo que podemos carregar. O dever cristão de pregar o evangelho deve estar acima dos nossos interesses individuais, mas não é pregando leis e regras absurdas que conseguiremos levar alguém aos pés do Senhor.
                Qual a necessidade de se prenderem em doutrinas humanas? Costumes que se tornam obrigatórios? Claro que há valor em sermos diferentes, mas como diz uma música do grupo Fruto Sagrado: “pra fazer diferença, não basta ser diferente”. De que adianta minha aparência ser de cristão se não busco intimidade com Deus? De que adianta eu me fantasiar de crente se eu tenho um olhar acusador para os meus irmãos? Não é esse o evangelho de Cristo.
                O Senhor nos traz uma pregação séria, porém agradável, um compromisso que pode ser cumprido com alegria. Então qual o sentido de impor doutrinas sem base bíblica para os fiéis? Ou tentar descontrair demais e trazer mundanismos para o seio da igreja? O Senhor irá separar o joio do trigo, e muitos dos que hoje se vestem como trigos serão desmascarados, Jesus diz que dois estarão em uma cama, um subirá e o outro ficará; isso se refere não só às tarefas comuns, mas também aos grupos religiosos. Estar no meio de pessoas que buscam a Deus não me garante salvação, mas ter a fé pura e sincera acompanhada de boas obras, pois quando há fé, nosso coração arde no desejo de agradar ao Pai.
                Paulo disse a Timóteo que não deixasse ninguém ignorá-lo por ser jovem, mas que ele se firmasse na palavra. Sinto que às vezes somos subestimados, como se fôssemos incapazes de ler a palavra e buscar a Deus com sinceridade, mas com o auxílio certo todo jovem pode transformar sua vida pessoal com Deus. Não precisamos de showzinhos gospel, não precisamos de pulaçada carnal querendo mostrar um fogo exterior que não corresponde à realidade interior. Precisamos de mais joelhos no chão e lágrimas nos olhos, precisamos de um coração sincero e puro, precisamos de ousadia pra deixar o fogo do Senhor incendiar nossos corações, de verdade. E esse fogo queimará nosso exterior também, se for da vontade Dele, haverá pulos, haverá gritos, haverá abraços e lágrimas, mas especialmente: haverá corações com o desejo real de buscar proximidade com o Pai todos os dias. Precisamos reconhecer o desejo do Senhor, reconhecer sua voz.

                “Onde Deus me mandar, eu vou. Cristo me fez voltar ao grande Eu Sou, só o que importa pra mim, minha prioridade é ver o fogo do altar me incendiar” (Minha Prioridade, Rodolfo Abrantes). Esse altar é o nosso coração, Deus queima toda a impureza, dor e nosso passado e aí sim, depois que o coração estiver entregue, ele fará morada em nós e nos transformará no Seu templo.
Por hoje é isso, vou me esforçar para trazer textos mais aprofundados sobre esse tema, além de alguns outros que já prometi aqui no blog. Acompanhem e dê sua sugestão.

Devaneio: sobre o perdão

Perdão: ação de se livrar de uma culpa, ofensa, dívida. O perdão é um processo mental que visa a eliminação de qualquer ressentimento, raiva, rancor ou outro sentimento negativo sobre determinada pessoa ou por si próprio.
Desde o começo da organização da religião como instituição humana, seus laços com os governos seculares fez com que houvesse uma grave distorção na interpretação das mensagens de Jesus. Começava a campanha de levar a mensagem sobre um Deus cruel, vingador, sem misericórdia que apreciava ver o castigo do homem. Um Deus ditador. Essa interpretação foi divulgada e se propaga até os dias de hoje, como se o ser humano fosse capaz de ser perfeito, pois só assim alcançaria o Pai.
Se o amor é paciente, demora em irar-se, é o maior dos dons, qual seria o motivo para o ser supremo do universo se negar a isso?
Uma palavra que os antigos líderes parecem ter esquecido é a que está em Lucas 11:13 (“Mas se vós que sois maus sabeis dar boas dádivas aos seus filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pediram”)
Qual seria o motivo escuso para o Criador não querer cuidar de suas criaturas, sua graça é tão maravilhosa que nos amou antes do nosso nascimento, muito antes do nosso tempo Ele se entregou para perdoar nossos pecados, disso conclui-se que perdoou nossos erros antes de acontecerem, o mais incrível de tudo isso é que a misericórdia do Senhor se renova a cada dia, ou seja, antes mesmo do nosso erro, Ele já nos perdoou, Ele já nos alcançou com seu perdão, o detalhe é que nós precisamos estender as mãos e recebe-lo. Esse é o mistério da graça.
Como podemos ser tão amados quando o que mais fazemos é errar?

Um pai nunca deixará de amar seu filho, mesmo com suas muitas falhas, toda vez que ele se mostrar arrependido, o pai abrirá seus braços e p acolherá com seu perdão. Assim é nosso Deus.

E as crianças?

Ontem em um encontro da família na escola em que trabalho, cantei uma música falando sobre proteger as crianças e orar a Deus agradecendo pela família que temos. No meio da música, fiquei pensando na nossa realidade e comecei a chorar, precisava escrever sobre isso.
Observo as crianças crescendo em famílias tão diferentes, umas fazem tudo que os filhos querem, outros são até cruéis com eles. Nessa semana tive que observar uma criança de 7 anos, chorando porque sua mãe e avó estão brigando por sua tutela, triste porque a mãe iria vê-la na mesma reunião de família que citei antes e sua avó não deixaria ela se apresentar justamente por não querer que a neta se aproximasse da própria mãe. Acabei chorando também; é o tipo de situação que nenhuma criança deveria passar.
O que temos ensinado para as crianças? O amor, a amizade, a harmonia, ética, justiça? Ou será que elas crescerão aprendendo a apenas competir, discutir e ser individualistas? Ou então, ignoramos suas tentativas de aprender conosco, deixamos de lado o tempo que poderíamos passar com elas, ocupados em nossas próprias atividades que às vezes nem são tão importantes assim.
Nem todos adultos tem filhos, mas acredito que todos têm responsabilidades sobre o futuro; mesmo sem filhos há o contato com as crianças, há o seu exemplo como pessoa, como irmão, tio, primo. Você nunca parou pra pensar nisso, mas provavelmente há uma criança que te conhece e que te admira, que quer ser como você, e você nunca imaginou. Agora pense, ela terá um exemplo de decência, sabedoria e bondade?
Reclamamos tanto do nosso país, da educação, mas na hora de responder um “por que” de uma criança, reviramos os olhos e ignoramos.  

Está mais do que na hora de reconhecermos a importância dos pequenos, chega de expô-los à sexualização, ignorância, brutalidade e violência. Mostremos nós, com bons exemplos, quem eles devem se tornar no futuro. Se investirmos nosso tempo e o que temos nas crianças de hoje, o futuro do nosso país, do planeta inteiro estará garantido.

Página do blog!

A novidade hoje é: criei uma página no facebook para o blog. Pretendo publicar pequenos textos e meditações diárias, você pode curtir e acompanhar clicando aqui.

Pedras na igreja

                Estive pensando muito sobre a passagem em que Jesus conversa com a mulher samaritana que estava junto ao poço. Não sabemos muito sobre a história dela, exceto que era considerada como uma prostituta; a lei permitia que as mulheres tivessem até cinco maridos, após isso era adultério; esse é o estigma pelo qual a conhecemos até hoje. Uma mulher adúltera que estava ao poço. Ignoramos, na maior parte do tempo, o seu ministério posterior a isso, deixamos de lado o fato de ela ter aceitado a palavra de Cristo e ter chamado outras pessoas à presença dEle.
                O mesmo acontece em nossos dias quando olhamos para nossos irmão e, em vez de olhar para a frente, ficamos procurando erros para apontar. Qual o ser humano que nunca errou? Essa é um questionamento célebre, pode-se dizer, quando Jesus estendeu sua mão para uma mulher que havia pecado. Por que os ensinamentos do mestre do amor estão sendo deixados de lado? E isso não é de agora, o tempo todo, ao longo dos anos, sabemos de pessoas que apontam, julgam, jogam pedras aos que na verdade precisam apenas de uma mão estendida.
                Quando alguém começa a visitar a igreja e vem carregado de uma história triste, vê-se muitos irmãos prontos para apoiá-lo; a coisa muda de figura quando uma pessoa que já está na igreja, conhece a palavra, tropeça. Ninguém abre os braços, ninguém quer ir e liberar palavras de benção e ânimo, mais fácil é apontar o erro, falar do pecado do irmão. Para esses, eu digo: lembre-se que se esse irmão cair, você será culpado pelo seu sangue.
                Nosso maior exemplo de vida é Jesus Cristo, este que assentou-se à mesa com pecadores, apesar das críticas dos fariseus; este que curava leprosos, sem desprezo, sem nojo, os tocava e sarava; nosso exemplo vem do Senhor que ao ser tocado por uma mulher com fluxo de sangue a chamou para perto de si, em vez de afastá-la, afinal, segundo a Lei, uma mulher menstruada ou com sangramentos era retirada da casa e não deveria ser tocada. O nosso Jesus é aquele que abraçou a todos, Ele mesmo disse que veio para os doentes, não para os sãos. Os doentes precisam de médicos, e é por isso que nós, pecadores, buscamos a Deus, para que sejamos curados de nossas falhas e erros, porém essa busca é constante, pois no momento em que nos considerarmos curados estamos negando Jesus. É como dizer a Cristo: “Senhor, já fui curado, sou perfeito, não há mais o que tu possas fazer aqui.”. Todos precisamos urgentemente dEle, especialmente se nosso coração estiver endurecido ao ver a fraqueza e o sofrimento daqueles que nos rodeiam.      
                Recentemente compartilhei nas redes sociais um texto que retratava um diálogo entre uma senhora evangélica e seu pastor. Ela falava indignada, sobre uma mulher que entrara na igreja na noite anterior usando uma mini saia, uma falta de vergonha, roupa que não condizia com o ambiente; orgulhosa de sua atitude, contou ao pastor que falou para a mulher se retirar e tomar vergonha na cara, pois aquele ambiente não era para promiscuidade. Nesse momento o pastor sabiamente começa a conversar com a senhora e falar que aquela poderia ser uma prostituta, talvez aquela mulher não tivesse outra roupa, talvez ela colocou o que considerava sua melhor vestimenta para visitar a igreja e talvez essa mulher nunca mais voltasse depois de ter sido desprezada pela senhora. O texto segue até a senhora se arrepender e ir atrás da mulher pedir-lhe perdão. O ponto é: quantas pessoas, dentro das igrejas, tem servido de pedra de tropeço para aqueles que, com sinceridade e simplicidade no coração querem buscar ao Senhor? Quantas pessoas mais precisarão cair para que as igrejas despertem e vejam que é necessário cortar esse mal pela raiz?
                Jesus foi o maior quebrador de paradigmas que conheço. Ele tocava em leprosos, estendia a mão para prostitutas, fazia a obra do Senhor no sábado, quando, segundo judeus, deveria estar descansando; sendo judeu, conversou com uma mulher de Samaria, aceitou ser tocado por uma mulher com hemorragia, tocou um cadáver e o ressuscitou. Ele se fez homem para pregar aos homens, pense na honra dos homens que andaram ao lado do Filho de Deus, pense no privilégio que temos de sermos salvos por Ele. Por que atrapalhar outras pessoas de alcançarem esse mesmo privilégio?
                Sempre se repete sobre como nosso inimigo gosta de apontar nossos erros e fazer nos sentir sujos, quando na verdade somos lavados pelo sangue de Jesus. Logo, quem fica apontando os erros e falhas dos irmãos, é o que? Responda para si mesmo e pense se não está tendo uma atitude de enviado do diabo para acusar os que te cercam. Quando pedimos perdão a Deus, nossos pecados são esquecidos, quando há arrependimento verdadeiro, o Senhor apaga nossos erros e nos permite começar de novo; mas o inimigo de nossa alma, quer ver os filhos de Deus revirando a lama, preocupados com coisas que já não precisam ser lembradas, ele quer que percamos a fé e acreditemos que o Pai não quer mais nossa presença, que não somos dignos de orar e pedir bênçãos. Mas é nesse momento que precisamos ser fortes, porque quando o inimigo se levanta significa que o Senhor está pronto para derramar suas bênçãos e trazer vitória e é exatamente isso que o diabo teme, por isso se esforça para nos fazer ficar olhando pra trás.
                Quando ver um irmão tropeçar, ore por ele, sustente, seja suporte; é para isso que somos chamados corpo, família, para que um possa ajudar ao outro na fé e nas necessidades.

                O que quero deixar para reflexão hoje se resume a uma frase: Não seja pedra de tropeço.

Luz e verdade na vida cristã.

Primeiro post de 2016; primeiramente quero desejar a todos os leitores do blog que tenham um bom ano novo, abençoado e cheio de vitórias, persistam no Senhor e estarão guardados.
Estou realizando uma série de pequenos estudos, aproveitando o período de recesso para estudar a palavra de Deus; infelizmente o teclado do meu notebook estragou e estou usando o computador da minha mãe, assim, quando eu puder trarei outros textos sobre minhas conclusões e talvez isso demore um pouco.
Um conceito que sempre me chamou a atenção foi o conceito de verdade. O que é verdade? No dicionário, verdade é a realidade, sinceridade, princípio certo. Bem simples. Porém estudando alguns autores seculares, que não vou citar aqui para não fugir do ponto a que quero chegar, dizem que a verdade pode ter muitas facetas, a verdade histórica é aquela que muda, é como a cultura que em um tempo aceita determinado comportamento como normal e em outro tempo vê a mesma coisa como algo inaceitável. As verdades mudam e se transformam conforme a cultura, o lugar e os indivíduos.
Pensando sobre isso, veio à memória o versículo de Jeremias 17:9: “O coração do homem é enganoso, mas o Senhor o conhece”. O coração humano pode enganar a própria pessoa, a verdade humana é tão falha e cheia de brechas, que até nossos planos, que parecem ser bons, podem ser mudados pelo Senhor, pois ele pesa o Espírito e é onisciente (Provérbios 16), Ele é a verdade perfeita.
                Em contraste com a verdade humana, temos a verdade de Deus, verdade absoluta, exata, foge dos nossos conceitos, está além do nosso entendimento. Ele é a verdade,  por ela nós recebemos perdão e por temer a Deus nos afastamos do erro, do engano do pecado (Provérbios 16:6). Jesus é a própria verdade (João 14:06), Ele é a luz do mundo (João 8:12), a luz traz tudo à visão, tanto as boas coisas quanto as más, a luz só apresenta a verdade.
                O juízo de Jesus é verdadeiro, pois além de ser a verdade, Ele conhece o tempo, Ele sabe de onde vem e para onde ia, nós julgamos pela carne, isso afeta a nossa visão da verdade (João 8:14). Se é Cristo o caminho, a verdade e a vida (João 14:06) e Deus que o enviou está com Ele (João 8:29), basta conhecer a Cristo para que a verdade nos liberte (João 8:32), Jesus também é luz, a luz que traz a verdade, quem anda com Ele não andará em trevas (João 8:12).
                Quando acendemos uma lâmpada a luz mostra tudo que está ao redor, seja o que for; quando aceitamos a luz em nossa vida, todas as nossas obras são reveladas (Lucas 8:16), as escamas caem de nossos olhos, e, assim, como Paulo, podemos enxergar (Atos 9:18). Ora, se estamos em Cristo que é luz, somos filhos da luz (1 Tessalonicensses 5:05) e como tais nos tornamos portadores da luz e da verdade; nossa luz ilumina o mundo, em semelhança a Jesus, e nossas boas obras servem de exemplo, para que o Pai seja glorificado (Mateus 5:16), a luz não é feita para ser escondida, mas para iluminar a todos. Nossas próprias obras serão vistas pelo mundo, mas não pelo nosso próprio testemunho, não “tocaremos trombetas” diante de nós, pois isso é coisa de hipócritas (Mateus 6:2); até nossa oração deve ser discreta, assim o Pai nos recompensará (Mateus 6:6).
                A luz, que é Cristo, nos mostra o engano, tendo consciência do pecado, queremos nos afastar do erro. A luz não convive com as trevas e nós não podemos servir a dois senhores (Mateus 6:24). Tudo aquilo que é feito em oculto é revelado diante da luz do Senhor (Lucas 8:16), devemos ter uma vida transparente, distante da hipocrisia, corrigindo nossas falhas (Mateus 7:5) para que assim, como vasos de barro, quebrados e feitos de novo (Jeremias 18:04), possamos guiar outras pessoas à fé, não como cegos que, sem ver a luz, tentam guiar outros (Lucas 6:39), mas como verdadeiros filhos da luz, que, conhecendo a verdade, aceitam o chamado de ir e pregar o evangelho (Mateus 28:19).
A verdade subjetiva do mundo é cheia de sombras e falhas assim como o próprio homem; essa verdade torta é vista de forma diferente por cada um. Quando o engano foi infiltrado no Jardim do Éden, o ser humano cedeu facilmente ao se coração enganoso ao buscar um conhecimento que supostamente lhe revelaria a verdade, um conhecimento que o seduziu. Ali, Adão e Eva negaram a Verdade, o verbo vivo, aceitara o engano em suas vidas e a partir disto a humanidade decaiu.
                Deus, e Cristo que estava nEle, é a verdade, e essa é objetiva, clara e sem falhas, pois não é homem ou filho do homem para mentir ou se arrepender (Números 23:19), Ele é o único onisciente e justo; de um ser perfeito só pode vir algo igualmente bom, perfeito e agradável como a Sua vontade (Romanos 12:02), mas para termos isso em nossa vida é necessários estar à disposição do reino e ter coragem para enxergar nossas falhas e permitir que Deus nos conserte, permitir que Ele quebre o vaso, amasse e faça de novo, um processo que pode ser complicado para o ser humano, mas que nos enche de poder e autoridade diretos do Pai e nos torna canal de bênçãos, luz para os que vivem em trevas e mensageiros preparados para levar o evangelho da paz, revestido da armadura de Deus (Efésios 6:15).
                Cristo, a verdade, subiu ao Céu, mas rogou ao Pai que enviasse um consolador, que estaria conosco para sempre, o Espírito da verdade, o seu Espírito, que somente os que andam na luz podem conhecer e habita em nós (João 14:16).
                Cristo é luz, é vida (João 1:04), as trevas não prevaleceram contra a luz (João 1:05), Cristo nos diz para termos bom ânimo, porque Ele venceu o mundo (João 16:33); logo, o mundo é trevas e jaz no maligno, mas nós somos de Deus (1 João 5:19) e todo que é nascido de Deus crê em Cristo e vence o mundo (I João 5:04), assim como Cristo vence o pai da mentira e seus filhos (João 8:44).

Sabemos quem é a verdade e para alcançá-la é fácil, basta entregar nossa vida a Jesus, ele nos traz a luz e apresenta o caminho para o Pai. Essa é a verdade.






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