Para quem perdeu

A última coisa que ouvi
Foi algo que eu não queria
Meu sorriso se foi, estou sozinha no escuro
Suportando o abuso deste mundo
Quando o amor vai me deixando
Já não sei como sobreviver
Quero permanecer e lutar, sem perder o controle
Levaram minha vida e tudo que eu tinha
A última coisa que vi foi o sussurro silencioso
Seus lábios dizendo um adeus doloroso
Não quero morrer agora, não desista de mim
Você é tudo que preciso
Diga que não importa o tempo, você me encontrará
Lutarei pelos nossos planos, permanecerei firme
Não vou morrer esta noite
Ainda há um dia para nascer
E sobre a última coisa que ouvi, quando levaram tudo
Foram as lágrimas que rolaram lentamente do meu rosto
Esperando um futuro incerto que eu nem sei se virá
Estou quebrada, triste, após ouvir seu adeus forçado
Não pude impedir, não pude proteger, está acabado
Minha incapacidade faz-me culpada
E todo esse barulho...
Faça parar
Sinto sua falta, a tua presença que me iluminava
Você só vai me encontrar se eu te procurar
Preciso me esconder daqueles que querem me destruir
Mas preciso gritar seu nome, apenas mais uma vez
Ficar abaixo do medo e do terror
Se é para acabar, acabe logo
Mas eu não vou parar agora, lutarei por nós
E todo esse barulho, será a minha trilha
Porque nada mais vai me impedir de te procurar
Espero ter teu abraço, tua luz, levanto

Mais um dia, uma nova chance de te encontrar

Cassiani Martins

Cassiani com i

Sempre escrevo aqui poesias ou textos um tanto sentimentais, isso não quer dizer que seja algo pessoal, mas hoje vou fazer algo diferente: escrever sobre eu mesmo e começo trazendo já no título a minha dificuldade em fazer as pessoas entenderem que não sou Cassiana ou Cassiane, é Cassiani, com I mesmo. Recebi este nome porque minha mãe, professora daquelas que se apegam aos alunos, tinha uma aluna homônima, a qual era muito bonita, educada e inteligente, minha mãe prometeu a si mesma e à menina que quando tivesse uma filha, esta receberia o nome daquela. Aqui estou eu.
Faço 19 anos no corrente ano, me sinto tão criança e com tanta idade. Deixe-me explicar. Entende quando parece que você não cresceu? Eu sinto como se não soubesse me comportar como adulta, como “moça”. E há quem diga que devo manter a compostura em festinhas de criança, porque os rapazes vão me achar estranha, ou porque os adultos dirão que não sou confiável.  Terei logo 19 anos, logo estarei formada em História, terei que trabalhar, assumir responsabilidades de adultos, algumas das quais eu já cumpro; mas esse meu lado criança me faz tão bem, é o que me faz rir e por um momento deixar de lado aquelas pequenas complicações sentimentais e a preocupação com aqueles trabalhos imensos que preciso entregar na próxima semana.
Sempre tentei ser bem racional em tudo, o que a minha mãe chama de frieza. Não sou chorona, sou manhosa; ah, isso é um defeito bem forte em mim. Faço manha se quero algo, faço manha e choramingo se preciso de algo. É, sou bem chata. Não sou ciumenta, gosto de me sentir importante a ponto de pessoas próximas me contarem tudo o que fazem, não é possessão, é só bom sentir-se confiável e importante para guardar segredos e dar conselhos. Como disse antes, não sou chorona, mas sou sentimental, mesmo que não mostre, dentro de mim há uma fragilidade fora do comum, talvez seja uma espécie de instinto maternal que me envolve quando vejo alguém triste e para tentar fazê-la sorrir eu simplesmente escondo o que me dói, mas minha melhor recompensa é quando percebo que fui motivo do sorriso de alguém, não há nada melhor que isso. Sou dessas que o coração aperta ao ver crianças abandonadas, ou gente pedindo dinheiro, queria poder reunir todos, abraçá-los e prometer a cada um que nunca mais passariam por isso, mas não sou adulta pra isso. Esse mundo dos adultos me irrita. Sinto-me impotente e com medo, não há espaço para abraçar estranhos e convivemos com a desconfiança.

Talvez eu não devesse mesmo crescer.






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