Sobre manifestos, respeito e hipocrisia

 
Aqui estou com um tema sempre polêmico, resolvi que escreveria e estou sentada diante do computador tentando relembrar tudo que já falei sobre o assunto e como colocar de novo em palavras conexas. Provavelmente serei apedrejada por uns e cumprimentada por outros, mas isso ocorre com qualquer lado que exponha sua opinião.
Recentemente tem havido uma onda de adesão aos movimentos libertários, de luta, revolucionários ou como os próprios queiram se definir; muitos com nobres intenções, outros, nem tanto, mas todos dizem acreditar que sua luta é pelo melhor. O fato é: estamos em um país democrático e podemos nos expressar livremente (às vezes nem tanto, devido às convenções sociais, mas esse assunto fica pra outra hora), por isso através do meu blog venho exercer meu direito de falar livremente o que penso com o cuidado de não interferir no direito do outro de ser respeitado.
Tristemente, muitas pessoas distorcem a justiça dos ideais desses grupos, quando já não são reuniões com intentos obscuros. Desde o ano passado só vejo crescer a moda de reclamar do país, dizer que o sistema é opressor parece ser o jargão mais popular que sai de bocas tão jovens, as quais não saberão definir sua ideia de sistema. Também não sei muitas coisas, mas tento aprender, e sobre o que não sei tenho o bom senso de não ficar repetindo discursos decorados e com palavras bonitas das quais não conheço o real significado. Se classificar como minoria oprimida também parece ter se tornado atraente, jovens que nunca viveram a real opressão do século XX, jovens que elogiam a Revolução Francesa sem nunca terem lido um artigo sobre o motivo dos franceses terem ido à luta.
Acabo por divagar, mas não quero terminar este texto sem deixar minha impressão sobre esses movimentos. Não me entendam mal, eu realmente apoio o direito que todos têm de se expressarem, mas posso notar que hoje em dia as pessoas se tornaram um tanto vitimistas. Não vejo movimentos defendendo os pobres ou incapacitados fisicamente, mas vejo mulheres mostrando os seios para reclamarem da objetificação que a sociedade machista faz do corpo feminino, vejo jovens que dormem durante as aulas e têm preguiça de ler um livro sobre a História do Brasil, saindo às ruas empunhando cartazes dizendo que o “Gigante Acordou”, vejo um movimento hipócrita na internet falando sobre como a política é corrupta, como as pessoas não buscam seus direitos, mas quem fala isso tem preguiça de acordar pela manhã e sair para votar, e quando o faz, nem pesquisou a vida daquele que vai levar seu voto. Vejo crianças e adultos falando que gritam e buscam um país melhor, mas usam uma máscara de um herói estrangeiro e não conhecem obras de grandes e renomados cartunistas brasileiros que satirizam as dificuldades da vida do brasileiro.
Sim, todos têm o direito de se expressar. O mínimo que devem fazer é se perguntarem porquê estão fazendo isso, é ler sobre quem foram as pessoas que os líderes do movimento usam como referenciais, é se perguntar se realmente vale a pena aderir a causa, é desenvolver uma boa retórica, com argumentação bem fundada, além de ter a educação necessária para manter uma discussão, porque criar uma briga qualquer um sabe, mas ter uma boa discussão só os sábios conseguem. Sim, eu também sei que é natural do ser humano deixar seu espírito se inflamar ao defender uma causa, isso demonstra nossa convicção, mas os sábios não permitem que o ardor sufoque a boa educação e a moderação.
O bom senso é uma virtude que acaba sendo esquecida; na minha opinião existem “lógicas sem lógica”, por exemplo –machismo é crime- dizem aqueles que pregam o feminismo, ou então –quero um país melhor- dizem os jovens de 14-18 anos que nem terminaram o ensino médio ainda e todos os livros que leram reúnem umas 300 páginas, além de dormirem ou matarem as aulas de Português e História; uma falta de bom senso ou hipocrisia, ainda não consigo definir bem. Fico decepcionada quando converso com algumas pessoas que seguem essas doutrinas, raramente encontro argumentos interessantes ou sou bem recebida ao expôr minhas dúvidas.
Como falei antes, penso que têm se tornado vitimistas, alegam ser oprimidos e sofrerem, sendo que a maioria nem busca ou mantém um emprego (falo aqui dos mais jovens e desinteressados). Lamento por aqueles que tem um ideal, bom senso e acredita na sua luta, pois pessoas como as que eu citei acabam estragando o movimento.
Acreditem, eu sei bem como é, sou evangélica e mulher. Sim, realmente é muito ruim suportar piadinhas de homens que veem a mulher como objeto, também é ruim ouvir feministas falando que mulheres cristãs seguem um sistema patriarcal opressor; não sabem o que falam. Jamais eu direi que as minorias não devem buscar seus direitos, mas buscar a igualdade é diferente de buscar superioridade, defendo um país igualitário, onde brancos, negros, índios e pardos se aceitem como uma só raça; onde homossexuais, mulheres, homens se enxerguem como humanos; um país onde evangélicos, ateus, católicos, espíritas, saibam conviver com opiniões e fé drasticamente diferentes, talvez até conversando sobre essas divergências. Também entendo que esse diálogo não é muito fácil, não quando tantas mulheres são abusadas, tantos religiosos considerados burros, tantos negros/índios desprezados; mas não é possível mudar um país sem antes ter se olhado no espelho. Despimo-nos de toda hipocrisia, entendam que ter opiniões diferentes e expressá-las é diferente de preconceito, entendam que o respeito deve estar em alta, mulheres respeitem os homens, homens respeitem as mulheres. Todos respeitem-se. Não é com violência que se alcança a paz, mesmo que o mundo pregue isso; um tanque de guerra não cobrirá o mundo com rosas, mas com sangue, da mesma forma com que ficar nua nas ruas só vai te tornar mais objeto na visão masculina, da mesma forma com que chamar uma mulher de gostosa, ou outros termos rudes, só vai fazer com que ela tenha nojo de ti. Não estou dizendo para baixar a cabeça e aceitar, estou dizendo para ser mais esperto, faça valer seus direitos, mas primeiro saiba se respeitar, saiba amar você como você é, aprenda que ninguém pode te diminuir pelo que é.
Mas sempre, sempre tenha a humildade de aprender, tenha a capacidade de reconhecer seus erros e a sabedoria para corrigi-los.
PS.: Em algumas partes do texto eu usei termos gerais, como se fossem todos; espero que entendam que eu sei que não são todas as pessoas que agem dessa forma, mas, infelizmente, muitos.















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